Fundada há 52 anos, a Conferência Nossa Senhora Aparecida cedeu o nome e a fé à Comunidade que virou paróquia

Contar a história da comunidade Nossa Senhora Aparecida é uma tarefa jubilosa, especialmente porque contamos com a boa vontade e atitude de fé de pessoas que estão nessa comunidade de fé desde o início, como o Sr. Faustino José do Amaral, o maestro Osmar Marciano e o Sr. Humberto Rocio, personagens que narraram a história à reportagem do Informativo Aparecida.

Voltemos ao ano de 1963, quando Ipatinga era um canteiro de obras e ainda um esboço de cidade. Pequenos caminhos, trilhas, interligavam os bairros ao centro da cidade e à usina. No bairro Iguaçu, algumas casas já existiam nas ruas abaixo da hoje avenida Brasil.

Maestro Osmar à frente do Coral da Comunidade Nossa Senhora Aparecida/Foto: Arquivo pessoal Osmar Marciano.

Foi nesse cenário que chegou o Sr. Faustino. Ele conta que aqui já encontrou a Conferência Nossa Senhora Aparecida, que se reunia nas casas, nas garagens dos moradores para rezar. Missas, casamentos e batizados, somente na Igreja do Horto, que mais tarde se tornaria a Paróquia Nossa Senhora da Esperança. Por volta do ano 1965, o Sr Jair Gonçalves doou um lote na Rua Minerais, número 734, onde foi construída uma igreja, na realidade um grande galpão com telhado, onde a conferência e a futura comunidade passou a se reunir. Foi a época do Padre Francisco e do Padre Bertoldo. Por volta do ano de 1972, a igreja da Rua Minerais já não comportava tanta gente. Era necessária a busca de um espaço maior. Então, a mesma pessoa que doara o lote da Rua Minerais concordou em doar toda a quadra onde hoje está fincada a igreja, o imóvel do antigo seminário, o Centro Pastoral e o Espaço Católico Cristão (ECC). Foram doados também os lotes para a construção do asilo e a Comunidade Divina Providência.

Osmar chegou nessa época. Era o ano de 1974 e ele afirma que, durante os 10 anos que se seguiram, a igreja ainda funcionou na Rua Minerais, contudo o desejo de construir um templo maior permanecia. “Foi uma época muito boa, de festas, barraquinhas e até festivais de música que fazíamos para conseguir dinheiro para a construção da nova igreja”, conta João Batista Rodrigues, mais conhecido como Jobar, um dos pioneiros, que lembra, ainda, da rigidez do Padre Francisco, que também era professor da Escola Estadual João XXIII. “Ele corrigia a gente, tanto na escola, na igreja, quanto na rua”, recorda.

À direita Sr. Faustino José e à esquerda Osmar Marciano/Foto: Arquivo PASCOM

MÃOS À OBRA

A decisão de se construir a igreja com frente para a Rua Ametista e não para a Rua Jaspe foi para evitar que o barulho da Rua Jaspe pudesse interferir nas cerimônias religiosas. O projeto da igreja foi inspirado em um templo existente em Governador Valadares, mas não foi possível constar qual igreja ou quem foi o projetista. Sabe-se, contudo, que se tratava de um engenheiro que morava no bairro Novo Cruzeiro, em Ipatinga. Pelos relatos, não houve muita discussão sobre o projeto, apenas que deveria ser construído aquele modelo, muito arrojado para a época. Assim, tendo o lote e o projeto, as lideranças decidiram vender o imóvel da Rua Minerais e aplicar o dinheiro na construção da nova igreja, mas, como era de se esperar, os desafios foram muitos.

CONSTRUÇÃO

O ano era 1975. O bairro Iguaçu já crescera bastante e quanto mais dificuldades na construção havia, parece que era mais fácil superá-las, relata o Sô Faustino: “Antes de ir trabalhar, eu ia à construção, olhava o que precisava, deixava ordens, dinheiro, material para o dia. À noite, antes de ir para casa ver a família, voltava lá para ver como as coisas andavam, subia na construção e ainda tinha que ‘brigar’ com o Padre Miranda, um ‘cri-cri’ de mão cheia”, relembra, bem -humorado, acrescentando que era essa a rotina dos pioneiros, entre eles Avestil, Expedito, Geraldo Miranda (irmão do Padre Miranda), Nonato, Manuel Paixão, Juvêncio (secretário da Conferência), Oswaldo José de Matos e Zico.

Na construção houve também muitos improvisos, principalmente com as colunas inclinadas. Todas foram preenchidas no local, com mão de obra própria. Foi necessário improvisar a amarração delas com um cabo de aço que não estava no projeto e ainda improvisar o telhado para conter as “pingueiras” para dentro do salão da igreja. Outra alteração substancial no projeto foram as janelas, que não tinham o formato atual, relembra o Senhor Humberto Rocio, último Presidente da Construção. Ele conta que foi um período fértil de campanhas, como a rifa de um carro, barraquinhas e doações anônimas. “O número de dizimistas subiu de pouco mais de 300 para mais de 1,7 mil”, recorda Rocio.

PRIMEIRA MISSA

Não se sabe ao certo quando foi a primeira missa celebrada no novo templo da comunidade. Sabe-se apenas que o povo ali celebrava já no período da construção. Os pioneiros entrevistados contam que às vezes era necessário retirar os escombros para acomodar o povo. O ano provável da primeira missa é 1982.

COMUNIDADE NOSSA SENHORA APARECIDA

Também não se sabe ao certo se houve algum tipo de manifestação coletiva para escolha do nome da padroeira da comunidade. Há, no entanto, um consenso de que o nome da Comunidade foi herdado da Conferência homônima. A devoção popular em Maria Santíssima dispensou esse trabalho.

PARÓQUIA NOSSA SENHORA APARECIDA

Em primeiro de janeiro de 1999, a Comunidade Nossa Senhora Aparecida foi elevada à condição de paróquia, desmembrando-se da Paróquia Cristo Rei, que já nasceu grande, com outras 52 comunidades. Em pouco tempo, porém, essas comunidades também seriam desmembradas em outras novas paróquias, a Cristo Libertador, a São Pedro e a Senhor do Bonfim.

Hoje a Paróquia Nossa Senhora Aparecida está restrita a 5 comunidades. Cinco comunidades vivas, atuantes, comunidades de fé e vida. Além disso, a paróquia carrega consigo a responsabilidade de ser a única da diocese, cuja padroeira é Nossa Senhora Aparecida, também padroeira da diocese e do país. Nesse ano em que a igreja do Brasil comemora os 300 anos da aparição da imagem nas águas do Rio Paraíba, a Paróquia Nossa Senhora Aparecida está sediando todos os eventos da diocese em homenagem à virgem santa. Os fiéis têm respondido com fé e trabalho, mantendo a tradição daquelas pessoas que há mais de 50 anos aqui chegaram e organizaram a Conferência Nossa Senhora Aparecida, que mais tarde veio a se transformar nessa abençoada paróquia.

PADRES

Além dos padres Francisco, Bertoldo e Miranda citados, destaca-se que o Padre Luiz Carlos Castro, mais conhecido como Padre Buião, foi o primeiro pároco. Ele organizou a paróquia administrativamente e criou a secretaria e uma creche, segundo a paroquiana Silvalina Mollica Vilela. O Padre José Miranda até hoje é lembrado com saudades pelos fiéis que conviveram com ele. De personalidade forte e homem de fé, criou a Casa dos Padres. Hoje, o Centro Pastoral anexo à secretaria da paróquia leva o nome do saudoso sacerdote.

Pe. José Miranda fez sua última anotação no Livro de Tombos em 14/05/2006, falando da reunião do CPP e trabalhou até seu último dia de vida. Morreu no dia 28/05/2006, aos 66 anos e 39 de sacerdócio. O Padre Geraldo José Reis assim registrou sobre o velório: “Registre-se a presença de grande público, católicos e não católicos na última homenagem ao Padre Miranda. Uma grande manifestação de fé do Povo de Deus”. Padre Geraldo Reis foi quem sucedeu Padre Miranda, tendo como vigá- rio Padre Irani. Sua gestão foi marcada pela reformulação da secretaria, novos rumos para a liturgia, catequese, o Jubileu da Senhor do Bonfim, Santas Missões Populares construção do ECC, reforma do imóvel do Centro Pastoral e condução do processo do desmembramentos das comunidades que se tornariam paróquias: São Judas Tadeu, Senhor do Bonfim e São Pedro.

Em 05/01/2014, Pe. Geraldo Reis foi substituído pelo Padre Aloísio Vieira, atual pároco. O vigário atual é o padre José Ricardo dos Santos. Outros padres por aqui passaram pela Paróquia Nossa Senhora Aparecida: Padre Marcos Cunha, Padre Alex Banza, Padre Claudio Costa, Padre Aguinaldo Luiz, Padre Cícero, Padre Franco, Padre Maximo (italiano), entre outros.

NOTAS:

(1) Esse texto foi baseado no depoimento dos entrevistados, portanto são dados de memória, não de pesquisa.

(2) Colaboraram: Silvalina Mollica Vilela, Humberto Rocio, Maria Imaculada de Oliveira, Faustino José do Amaral, Osmar Marciano, Geraldo Celestino e João Batista Rodrigues.